
Foto: Francisco Oliveira
Annalisa
"O forte temporal que, durante a madrugada, assolou a costa algarvia, deu origem a um desastre marítimo que, felizmente, não atingiu grandes proporções.O cargueiro italiano «Annalisa», que estava fundeado próximo da barra de Portimão, por se ter partido um dos seus ferros, garrou e foi encalhar em frente do Casino da Praia da Rocha.Batido pelo mar, o «Annalisa» apresentava, esta manhã, um grande rombo na popa, junto à casa das máquinas, supondo-se que será muito difícil safar-se pelos seus próprios meios, visto estar muito enterrado na areia.O navio encalhado desloca 600 toneladas e tem uma tripulação de dez homens, comandados pelo capitão Graziano; dirigia-se de Leixões para Portimão, com carga diversa; pertence à empresa Navalsicula de Palermo, representada em Portugal pela Sociedade Marítima Argonauta, de Lisboa.A tripulação mantém-se a bordo, aguardando a todo o momento, a chegada do rebocador «Salvator», de Gibraltar que tentará arrancar o navio da sua crítica situação que se afigura difícil, devido à forte agitação do mar." Século, 04.12.1958.
O Annalisa trazia um carregamento de limas, limatões e grosas do conhecido empreendedor Lúcio Tomé Feteira (igualmente ligado à construção do Hotel Júpiter, na Praia da Rocha), herdeiro de uma indústria fundada em 1856, por seu pai Joaquim Feteira, em Vieira de Leiria. Estas ferramentas foram vendidas na Alfândega de Portimão, em 1959. Um dos compradores foi Sebastião de Freitas Leal, conhecido ourives da cidade. Diz-se que ainda é possível encontrar à venda alguns exemplares nas feiras de velharias da região.
Apesar dos esforços, o cargueiro manteve-se preso no areal por mais três meses. Foi resgatado por dois rebocadores sob orientação do Eng.º Francisco Cruz, vindo de Moçâmedes. "Chora, chora que o Annalisa vai embora" foi um rifão ouvido na época, gracejando sobre a saudade que alguns dos seus tripulantes terão deixado a algumas jovens da cidade.
