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Fotos: Francisco Oliveira
Pescadores
"Antes, tínhamos a lota aqui ao pé e vinham grupos de turistas ver descarregar o peixe", conta [Romeu Ribeiro da Conceição], enquanto recorda os fogareiros à porta das casas da Portimão de outros tempos. "Nesta zona, residiam muitos marítimos e a sardinha de S. João sempre pingou no pão. Como dentro de casa nunca ninguém assou sardinha, mal começava a cheirar a Verão, vinha tudo para a rua com o fogareiro de barro e a panelinha das batatas e os pimentos". Nos restaurantes, nos anos 60 e 70, os primeiros turistas pagavam segundo as cabeças que se contavam nos pratos. "Depois havia os que faziam batota. Escondiam as cabeças para pagar menos", lembra. A história mais caricata é a do famoso Vitorino, "homem esperto, mas muito agarrado ao dinheiro" que, à conta de fazer desaparecer umas cabeças no casaco de antílope de que se fazia acompanhar para o efeito, acabou por estragá-lo.
Na capital da sardinha, título que Portimão arrecadou há décadas, não se passava fome, pelo menos de peixe, no tempo da outra senhora. "Havia barcos com fartura e todos os homens do mar levavam um balde de sardinha, carapaus ou cavalas para casa, no final da jornada", lembra Romeu.
As fábricas de conserva tinham matéria-prima em abundância e o trabalho dava para todos, ao ritmo do apito dos barcos. Agora, as normas de higiene obrigam à passagem do peixe pela lota e à restrição da assistência ao descarregamento do peixe vivo no cais. Perdeu-se em cor e tipicidade, mas há sabores e referências que perduram.
"Uma sardinha no pão sabe muito melhor do que qualquer bife. Esta é a grande riqueza da nossa costa, o que de melhor podemos oferecer a quem nos visita, ano atrás de ano. E se voltam é porque também apreciam a simplicidade deste sabor", refere. Um paladar sempre acompanhado do convívio ao ar livre e da afabilidade das gentes ribeirinhas.
Ângela Santos (Jornal de Notícias 22.06.2005)







