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Oliveira em pose encenada para um catálogo de uma exposição na Casa Manuel Teixeira Gomes em 2010. Foto: arquivo pessoal de Francisco Oliveira da autoria de Vítor Tempera.

O Fotógrafo

Francisco Oliveira é um homem discreto, encantador e de esmerada educação. Ao longo de 80 anos, os seus sentidos beberam milhares de imagens, habituaram-se às efusões dos químicos, ouviram o rigor dos tempos cronometrados, filtraram a penumbra e as luzes fortes, vibraram com a verdade do preto e branco e a intimidade do estúdio.

 

 

Francisco Oliveira testemunhou e eternizou os momentos mais felizes das vidas dos outros, comoveu-se com o crescimento da sua cidade nos seus altos e baixos, deambulou pelos cais de azáfama e desalento, perscrutou os mistérios das rochas, abraçou o casario ao longe e soube como poucos guardar na sua alma de câmara clara os positivos de uma vida imensa.

 

 

Aos 96 anos, espelha no olhar sábio uma nostalgia sem molduras dos anos de ouro de um Portimão que se metamorfoseou em estranha borboleta. É o último dos seus amigos e é a oliveira longeva que vai resistindo à intempérie dos novos tempos e às rugas da mudança.

 

 

Já perto do seu centenário, continua rotineiramente a descer a rua ao entardecer para se encontrar com os novos amigos no café. Por vezes para abrir o seu estúdio desarrumado, por vezes para olhar apenas para aquela montra especial da antiga Rua da Guarda. E assim serenamente aguarda pelo crepúsculo dos dias longos, embalado pelas memórias feitas de prata e ouro...

 

 

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