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Praça Manuel Teixeira Gomes (Portimão) nos anos 50. Foto: Francisco Oliveira.

A Cidade

Quando fotografa fora do estúdio, nas suas deambulações pela cidade, Oliveira não se sente muito atraído pelo elemento humano; liberta-se sobretudo das poses mais formais ou canônicas do retrato de estúdio, dos enquadramentos e composições obrigatórias nos casamentos e nos batizados. 

 

Oliveira sente-se longe das suas obrigações, mas não arrisca desfocar a sua reputação, escurecer seu brio profissional. Por isso, evita o confronto dos olhares, a aspereza das mãos e dos rostos sulcados pela força do trabalho das classes desfavorecidas. Oliveira não procura quadros humanos poéticos onde emirjam metáforas ideológicas de matriz neo-realista à semelhança do seu contemporâneo Júlio Bernardo.

 

O fotógrafo conhecido de todos, respeitado pela sua ética, admirado pela sua elegância e educação, é sobretudo um testemunho invisível do acontecimento oficial, do enquadramento turístico, da natureza deslumbrante, da composição equilibrada e clássica. É atraído por aspetos de uma cidade que advinha grandes transformações urbanísticas que a vão transfigurar irremediavelmente.

Máquina fotográfica modelo Voightlander semelhante à usada por Francisco Oliveira.

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