
Oliveira à entrada do Boa Esperança, em 2013. Foto: Carlos Osório.

Juventude
Boa Esperança Atlético Clube Portimonense
Foi fundado em 4 de maio de 1929 por jovens portimonenses, contando-se entre eles Luís Anacleto Júnior. Ocupou várias sedes na cidade, funcionando atualmente junto à igreja matriz de Portimão, sob a direção de Carlos Pacheco. Desenvolve presentemente várias iniciativas de âmbito cultural e artístico: Gala do Fado, revista à portuguesa, bailes, espetáculos musicais, danças de salão, seminários, marchas populares, entre outros. Dispõe de uma sala polivalente, com capacidade para 228 pessoas. Durante muitos anos dedicou-se à prática do futebol, rivalizando com o Portimonense Sporting Clube.
Oliveira tornou-se sócio desta importante coletividade portimonense, por volta de 1935. Hoje é o sócio honorário n.º 1, tendo sido homenageado em 2009 pela Direção, no aniversário dos 80 anos da coletividade.
Assistiu a numerosas peças de revista levadas à cena por esta histórica coletividade, bem como frequentou bailes, festas, homenagens, jantares, sessões de cinema, etc.
1951, Carnaval no Boa Esperança (Oliveira de cartola assinalado à direita). Podemos observar vários músicos e, em cima ao centro, o rei e a rainha do Carnaval, ladeados pelos seus pajens. As figuras femininas que faziam parte do séquito eram homens travestidos, de acordo com a tradição. Foto: coleção particular de Manuel Mendonça.

Sociedade Vencedora Portimonense
Foi fundada no dia 1 de novembro de 1924. Situa-se na rua José Buísel, n.º 64. Organizou durante 8 anos o Festival Internacional da Canção Infantil Chaminé d'Ouro. Organizou concursos de fado amador, bailes, saraus; levou à cena muitos espetáculos de teatro amador, sobretudo no género revista. Foram seus fundadores Luís dos Santos Salvador e José de Jesus Estêvão.
Oliveira foi sócio desta coletividade onde com 19 anos se estreia na farsa em 3 actos Pinto Calçudo (1937) e com 21 faz parte do elenco da revista Onde Está a Felicidade?(1939).
Os bailes deste clube eram afamados e Oliveira foi um conhecido frequentador de muitos deles. O convívio com a juventude do seu tempo e a sua aproximação às artes levou-o a frequentar aulas de violino com o professor Cardoso.
Oliveira representa no teatro amador da SVP, em agosto de 1939. Coleção particular de Manuel Mendonça.

Pescarias na Costa Vicentina
Um dos prazeres de fim de semana do mestre Oliveira foi a pesca desportiva. Com amigos deslocava-se a Sagres, S. Vicente, a praias no sopé de perigosas arribas, mas de vistas deslumbrantes. A cana e os apetrechos de pesca substituíam a sua máquina Voightlander.
O pescado era farto e acabava na grelha de uma pequena taberna de Vila do Bispo que dava as brasas e vendia as bebidas e o acompanhamento.
Oliveira (à direita) com amigos na praia do Castelejo antes de uma pescaria de domingo. Foto premiada de Júlio Bernardo e publicada na obra Algarve a gente e o mar de Glória Marreiros.

Edifício do Cine-teatro em Portimão. Foto: Francisco Oliveira.
Cinema
Outro dos prazeres de fim de semana do mestre era o cinema. Portimão desde cedo tinha um público numeroso que se deslumbrava com as estrelas e os astros americanos e alemães.
O Cine-Teatro foi inaugurado em 21.02.1938 e, segundo as historiadoras Graça Ventura e Graça Marques, era propriedade da empresa Orquestra Semi-Fúsica. Este moderno edifício substitui o antigo barracão do António do Carmo Provisório, o animatógrafo ou Cinema Provisório, construído em 1912, no aterro do cais. Nesses primeiros anos o cinema mudo era abrilhantado pelos grupos musicais locais, entre os quais o Fraternidade Philarmónica Recreativa. Em 1926, o barracão foi arrendado por uma jazz band conceituada designada por Orquestra Semi-fúsica, que atrairia os amantes do teatro e cinema e até combates de boxe. Em 1931, a empresa adquire um moderno aparelho da prestigiada marca alemã Bauer, fazendo valer a nova moda do cinema sonoro. Contudo, a falta de higiene, apesar das obras de remodelação, e a necessidade de arranjar o Largo do Dique, originaram a demolição do barracão pela Junta Autónoma dos Portos. No novo largo do dique vai ser construído o novo Cine-teatro de Portimão inaugurado em 21.02.1938. Posteriormente, em 1948, houve ampliação de instalações do Cine-Teatro, cujos trabalhos interromperam a actividade de projeção, sendo o Cinema Oriental, no Parchal, a garantir ao público portimonense a sétima arte.
Existiam mais dois cinemas ao ar livre: o Cine-Parque ao lado do Cine-teatro e o Cine-Esplanada de Adelino Rocha, cujas sessões só se realizavam no verão, tendo sido inaugurado em 24.07.1936.
Oliveira, no Cine-Teatro, e já com cerca de 50 anos de idade, passa a ter lugar cativo na coxia M n.º 1.
